Tudo começou com a minha vó, D. Pilar, ela era de uma família de colonos espanhóis, mas nasceu aqui em terras tupiniquins, ela conheceu meu avô e talvez aos 16 anos se casaram, tiveram 8 filhos, 7 vivos, que formaram famílias e uma delas, a mais pititica, cute cute, era a minha mãe: Marina. Minha mãe se casou, meu avô já havia falecido, minha vó já vivia sozinha cuidando de um dos filhos doente mental, então minha mãe se casou e foi morar no mesmo quintal que a minha vó, coisas de 'caçula'.
Minha mãe teve duas meninas, eu e a minha irmã Evelise, com a diferença de 4 anos entre as duas, pois a primeira gravidez dela foi muito complicada, minha mãe fez uma cesárea difícil com pré-eclâmpsia, apagou geral e depois de muitas horas conseguiu ver minha irmã. Logo depois da alta, nas primeiras semanas de vida, minha irmã teve uma infecção intestinal e desfaleceu em diarreia, imaginem o tamanho do trauma dessa mãe ? Então depois que minha irmã se recuperou, ela passou muito tempo assustada, porque ela quase veio a óbito. Após 4 anos, eu 'escapei', não fui programada como a primeira, sequer esperada... mas vim mesmo assim, porque sou incherida mesmo! Ao contrário de tudo que minha mãe havia passado, fui uma outra cesariana, mas que correu tudo bem, fui um bebê 'bonzinho', não fiquei doente, aliás, tirando uma gripinha ou um resfriadinho na infância, eu fui ter, catapora, aos 20 anos de idade!
Fomos criadas de forma muito usual para a época, mas com um agravante, nossos pais, ambos, eram de uma igreja evangélica cuja doutrina era muito severa. Portanto, não fui exatamente um modelo de criança 'normal' dos anos 80 !
A falta de certas coisas como TV a vontade, cinema, teatro, nos motivava a procurar saber as coisas através da leitura e foi então que ambas lemos muito, tanto eu, quanto minha irmã. (oh! ficamos cultas! Santa doutrina maluca!).
Crescemos nesse ritmo de anos 80, educadas em escola pública, boas alunas, boas filhas (por mais que nossos pais nunca achassem isso na época, mas isso só descobri por que há 6 anos atrás quando fui mãe pela primeira vez!).
Então, nunca tive a intenção de ser nada mais, nada menos do que sou hoje! Digamos que, fiz algumas mudanças ao longo do tempo, mas não diria que eu tinha um sonho muito diferente desse, pelo contrário, por algum motivo mórbido, eu achava que não passaria dos 20 anos (a catapora me assustou heimn, achei que era minha 'auto-profecia' se realizando). Mas, ao contrário da minha própria expectativa de vida, estou aqui até hoje e já tenho meus descendentes, outra coisa que eu jamais achei que teria, filhos. Mas, esse assunto de filhos, fica pro próximo bloco.
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