quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Camila

Esse blog não tem intenção de falar de casamento ou de relacionamento a dois, não cabe mesmo, não é minha intenção, o dia que eu souber tudo a esse respeito, com uns 25 anos de casada, então eu publico o que penso, sinto e enfim...

A gravidez da Camila, que coisa fantástica, em  2008 descobrimos, quanta alegria ! Dessa vez eu decidi que seria tudo diferente do primeiro, porque primeiro filho é uma escola! Essa que é a verdade, nós aprendemos com eles, eles não aprendem muito conosco tá...
Pesquisei a respeito de parto, amamentação, entrei num grupo do orkut de outras mães que teriam filhos na mesma época, no meu caso, fevereiro de 2009, mais precisamente, dia 26.

Li muita coisa a respeito da amamentação principalmente, conversei com pessoas que me ensinaram a preparar os seios, me ensinaram a tomar sol nos bicos, eu tinha tudo planejado!

Acompanhamos a gravidez com meus médicos específicos, proctologista e o obstetra, acharam por bem fazer outra cesárea, assim como no primeiro parto. Eu sou portadora de uma doença inflamatória do intestino, uma doença crônica chamada 'Retocolite Ulcerativa Inespecífica'. 

Tomei muito cuidado, a primeira gravidez eu tive a placenta baixa e passei 3 meses mais ou menos em repouso absoluto, fiquei bem preocupada se isso seria algo que acontecesse novamente. Graças a Deus não aconteceu e a gravidez correu tranquilamente.

Preparamos o enxoval, aprendi a bordar ponto cruz, preparei o quartinho dela, sim, descobrimos muito cedo que seria uma menina e o nome; Camila.

Acredito que correu tudo bem durante o parto, porém o pós operatório foi um horror, vomitei demais na primeira noite, na manhã seguinte trocaram minha medicação e passei melhor o dia, a Camila mamou bem no peito, desde a primeira vez, pequena e delicada, ela sugava direitinho.

Fomos para casa, novamente não tive coragem de dar banho, que horror, nem na segunda! Minha mãe estava lá para me ajudar, foram mais 15 dias de ajuda muito bem vinda !

Na segunda semana de vida, notamos a Camila muito amarelinha, então a pediatra solicitou o exame de  bilirrubina, o resultado pego no mesmo dia, foi péssimo, ela estava com alto índice de icterícia, foi internada para os banhos de luz. Durante esses dias, a Camila não poderia passar muito tempo fora do berço com a luz, mas ela passava muito tempo mamando, afinal, recém nascido MAMA MUITO ! A pediatra me condenou, disse que meu leite era fraco e que não sustentava minha filha, mandou as enfermeiras prepararem a mamadeira e logo veio aquela praga do NAN. Praga sim.
Durante os dias de internação, meus seios, doloridos de tanto leite, eu tinha que dispensar, não tinha banco de leite naquele hospital, tampouco me deram a ideia de que eu poderia dar o leite na chuquinha pra ela... Bom, não duraria muito aquele martírio de hospital, não é? Foram quase 5 dias internadas e finalmente a alta. Chegando em casa, PEITO, muito peito, dia e noite, porém... a Camila golfava demais, tudo que tomava jogava, na segunda consulta do mês com a mesma pediatra, ela bateu o martelo e mandou dar complemento, a menina não estava na linha de peso para a idade.
Começamos com poucos mls de leite artificial, mas as regurgitações aumentaram, o peito foi ficando de lado... quando finalmente mudei de pediatra, descobrimos que a Camila tinha refluxo. Começou a medicação, bem leve, melhorou muito, mas, ela largou o peito antes dos 6 meses completos.

A Camila é uma daquelas meninas doces, bonequinhas, que gostam de tudo cor de rosa, ela fala de um jeito meigo, sempre foi um bebê bonzinho, conforme ela foi crescendo, ficou mais fofa ainda. Assim como o Thomas, ela também não andou rápido, demorou mais de um ano. E a mãe, não teve pressa novamente. Mas, falar, ela não demorou nadinha!!

Com a Camila realizei meu sonho maternal de cuidar da minha filha em casa, com a ajuda e o apoio do meu marido, nunca mais voltei ao trabalho. Como é diferente a educação, o desenvolvimento, a conexão que temos com a criança, a falta de tantas culpas de falta de tempo, falta de tantas coisas... Acredito muito que grande parte da boa educação da Camila hoje, se deve ao fato de ter sido criada e educada em casa e não  com estranhos.

Ela é uma menina muito segura e conforme cresce, vejo traços de uma personalidade forte e muito, muito diferente de algumas crianças e explico facilmente, ela não tem o instinto de 'copiar', sabe, as crianças no maternal são ensinadas em grupo, elas formam fila, elas cantam, dançam, desenham, se desenvolvem em grupo e nem todas escolas (ou quase nenhuma), dedicam tempo para explorar o conteúdo do indivíduo, crianças em idade escolar antes dos 4 anos, tendem a copiar o comportamento dos outros, sejam eles bons ou ruins, pois é assim que se aprende na escola, com modelos prontos de certo e errado e não vivenciando isso no dia dia. Claro que não é uma crítica às mães que deixam os filhos na escola, mas é um comparativo, criança em casa até os 4 anos, não esta perdendo nada, sequer esta deixando de conviver, pois de quem a criança mais precisa em seus primeiros anos ? Dos pais. É com eles que irão aprender a viver em sociedade, a primeira sociedade deles é a família, é aqui em casa que se aprende o certo e o errado, o bom e o ruim. Essa primeira fase da vida com os pais proporciona muita segurança aos pequenos, de serem quem são, sem precisar copiar os amiguinhos, sem precisar ser a mais querida da classe para obter atenção, em casa eles são simplesmente eles mesmos. Além de não precisarem passar pelo trauma da separação, passarem horas a fio chorando, como é o caso de diversas crianças. 

A Camila vive com dois irmãos, o Thomas de 6 anos e o Guilherme(meio irmão) de 12 anos, ela consegue viver em harmonia com seu mundo rosa paralelo, nem por isso ela deixa de gostar dos 'bang bangs' de meninos, ela tem os dois mundos, inteirinhos para explorar, tem uma criatividade enorme para contar estórias, inventar amigos imaginários, conversa sobre tudo, pergunta sobre tudo.

Diversos autores defendem que as crianças até os 4 anos não deveriam ir para a escola, porém eu acho que isso depende muito da realidade de cada família e do instinto de cada mãe, há aquelas que não querem abandonar suas carreiras para ser 'apenas' mãe e há as que, como eu, só querem isso. Eu não vejo porque temer a escolha, pois uma mãe feliz e satisfeita com sua decisão será uma mãe maravilhosa em qualquer das hipóteses, mas uma mãe infeliz é um perigo!

Seja lá qual for a opção, ela deve ser de pé no chão, notando que em ambas realidades não será fácil, porque a maternidade não é fácil, ela é um longo caminho de aprendizado, onde nunca saberemos tudo e estaremos quase sempre sem saber nada. A maternidade é feita de experiências, vivências e não de teorias. Nada melhor do que a prática para provar as teorias e o dia dia é bem mais difícil do que se pode imaginar, pois não há nenhum dia igual ao outro.


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